
Fátima e o atentado ao bispo vestido de branco
| Muito se discute acerca do terceiro segredo de Fátima, onde a impresa sensacionalista, tem apresentado diversas versões sobre o casso em tela. Compete a nós Católicos, anunciar a Boa Nova, bem como a verdade, evitando assim que sejam dadas conotações exotéricas, subjetivas e descabidas. Desta forma, segue abaixo, um texto publicado pela Santa Sé, em 11 de maio de 2006, acerca de um grande escritor católico, pertinente ao Terceiro Segredo de Fátima, com foco na Missão de João Paulo II. Fátima e o atentado ao «bispo vestido de branco», 25 anos depois (I) Entrevista a Renzo Allegri, autor do livro «O Papa de Fátima» ROMA, quinta-feira, 11 de maio de 2006. (http://www.zenit.org/) Eram 17h19 de 13 de maio de 1981, quando na praça de São Pedro de Roma, o turco Ali Agca tentou assassinar João Paulo II, disparando-lhe vários tiros à queima-roupa, com uma pistola. O Papa polonês, ferido gravemente no abdômen, esteve a ponto de morrer sangrando antes de chegar ao hospital Gemelli, onde foi operado urgentemente. Entre a incredulidade geral, o Papa sobreviveu àquele atentado e atribuiu a salvação de sua vida à intercessão de Nossa Senhora de Fátima – «...uma mão materna guiou a trajetória da bala...» –, cuja festa se celebra em 13 de maio, em recordação de sua primeira aparição, em 1917, a três pastorzinhos portugueses. Em 2000, João Paulo II tornou pública a terceira parte do segredo de Fátima no qual se falava do atentado contra um «bispo vestido de branco», e revelou ao mundo que era ele mesmo. Vinte e cinco anos depois do atentado, o jornalista e escritor Renzo Allegri reconstruiu com uma pesquisa rigorosa todo o sucedido, e o resultado foi publicado em italiano com o título «O Papa de Fátima» («Il Papa di Fátima», editorial Mondadori». Zenit entrevistou ao autor. --Por que João Paulo II é o Papa de Fátima? --Allegri: Antes de mais nada porque ele mesmo se reconheceu naquele «bispo vestido de branco» que as três crianças, Lúcia, Francisco e Jacinta, «viram» durante a aparição de 13 de julho de 1917, quando a Senhora lhes confiou o chamado «segredo de Fátima». E também porque, após tomar consciência daquele acontecimento misterioso, João Paulo II viveu empenhado em realizar as petições e desejos contidos na mensagem de Fátima. Entregou-se a esta missão com todo seu ser, oferecendo-se como vítima pela salvação do mundo, promovendo uma «cruzada» mundial de orações, sobretudo entre os jovens, e obtendo os resultados históricos que todos conhecem: a queda do comunismo nos países do Leste, a volta da liberdade religiosa naqueles países e, talvez, contribuiu também a evitar um tremendo conflito nuclear que, segundo os historiadores, se divisava no horizonte. A relação entre Fátima e João Paulo II é, em minha opinião, muito grande e está ainda para ser descoberta. --Em seu livro, você afirma que, ainda que Karol Wojtyla fora pouco conhecido, o padre Pio já se havia dado conta de que se converteria em um homem muito importante. Você que conhece bem a vida do padre Pio, pode explicar-nos a que se referia o santo de Pietrelcina? --Allegri: Nas biografias dos santos, sucede com freqüência que possuam «canais» de comunicação fortes e precisos, que escapam ao controle da racionalidade. Este fenômeno se verificou também entre o padre Pio e Karol Wojtyla, e há dois episódios concretos, relacionados entre si, que o demonstram. Em 1948, o jovem sacerdote Karol Wojtyla, estudante em Roma, havia ouvido falar do padre Pio e queria conhece-lo. Viajou a São Giovanni Rotondo nas férias de Páscoa e ficou uma semana. Nunca se soube do que falaram. Parece que o santo de Pietrelcina o «viu» vestido de Papa e com manchas de sangue na túnica branca. Desta espécie de profecia, difundida rapidamente após a eleição de Wojtyla como Papa, nunca houve confirmação. Contudo é irrefutável o fato de que aquele encontro marcou profundamente a Wojtyla, suscitando nele uma grande veneração pelo padre Pio. Em 1962, Wojtyla voltou à Itália como bispo para participar no Concílio Vaticano II. Em Roma, lhe chegou uma dramática notícia: uma colaboradora sua, Wanda Poltawska, médica e psiquiatra, tinha um grave tumor. Os médicos decidiram tentar uma operação mas a esperança de salvá-la era quase nula. Wojtyla escreveu imediatamente uma carta ao padre Pio pedindo-lhe orações pela doutora Poltawska. O padre Pio, naqueles anos, estava submetido a gravíssimas acusações. O Santo Ofício decretou sérias restrições disciplinares contra ele, proibindo a sacerdotes e religiosos que lhe contatassem. Wojtyla estava certamente informado desta situação mas não fez caso porque, por motivos que ignoramos, tinha um «conhecimento» do padre Pio acima de qualquer insinuação. Fez chegar a carta ao padre Pio com urgência, em mãos, através de Angelo Battisti, empregado da Secretaria de Estado e colaborador do padre Pio. Battisti me contou, entregando-me cópia daquela carta, que o padre Pio quis que se lesse e, ao final, após algum instante de silêncio, disse: «Angiolino, a este não se pode dizer não». Sabendo que cada palavra do padre Pio tinha uma repercussão misteriosa e concreta na realidade, Battisti ficou muito surpreso com aquela frase: «Quem será este Wojtyla?», se perguntava. Pediu informações mas no Vaticano ninguém o conhecia, exceto os poloneses para os quais era só um jovem bispo. Onze dias depois, Battisti recebeu o encargo de levar outra carta de Wojtyla ao padre Pio. E nesta carta o bispo polonês lhe agradecia porque a doutora Poltawska «havia se curado repentinamente antes de entrar na sala de cirurgia». Estes são os fatos certos que conhecemos e que demonstram que o padre Pio, como em muitas outras ocasiões, «intuiu» os desígnios de Deus sobre Wojtyla com uma desconcertante precisão. --Como entra na história de João Paulo II a terceira parte do segredo de Fátima? --Allegri: De modo misterioso, como sucede sempre com os acontecimentos do Espírito. Na teoria, João Paulo II fez parte daquele «segredo» desde que nasceu. A missão lhe foi confiada inclusive antes de nascer e a história de sua existência se desenvolveu livremente em sintonia com os desígnios da Providência. Mas, de fato, talvez tenha tomado consciência de sua missão só após o atentado de 1981. Não temos provas científicas, documentos explícitos que demonstrem a relação entre Wojtyla e o segredo de Fátima. Só a convicção do próprio Papa que, após o atentado, refletindo sobre o que aconteceu e lendo o texto de irmã Lúcia sobre a terceira parte do famoso segredo, se reconheceu naquele relato. Irmã Lucia escreveu que, durante a aparição de 13 de julho de 1917, ela, Francisco e Jacinta haviam visto a um bispo vestido de branco que, meio temeroso, com passo vacilante, afligido pela dor e a pena, atravessa, junto a outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, uma grande cidade em ruínas, rezando pelas almas dos mortos que encontram em seu caminho e sobre por uma montanha escarpada, em cujo topo há uma cruz a cujos pés é assassinado. Wojtyla, à luz do que sucedeu, estava convencido de que a visão tinha as características de uma autêntica «profecia». E, com o passar do tempo, sua convicção foi se fortificando até converter-se em «certeza». É lícito pensar que teve, por parte da irmã Lucia, outras informações que não conhecemos. No ano 2000, 19 anos depois do atentado, João Paulo II estava tão seguro de sua convicção que quis dá-la a conhecer ao mundo inteiro. O que se fez realidade em Fátima, ao final da cerimônia de beatificação de Francisco e Jacinta, mediante um discurso do cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado vaticano, ante mais de um milhão de peregrinos, e incontáveis milhões de fiéis conectados por televisão ao vivo. Também a vontade de Wojtyla de fazer pública sua convicção é um argumento cheio de significado Lembrem-se, somente amamos e defendemos aquilo que conhecemos! Um grande abraço a todos! Anderson de S. Cunha |
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