
Plano Pastoral de Conjunto-Diocese de Petrópolis
| Chegando como quarto Bispo Diocesano de Petrópolis, por Graça de Deus e nomeação do Santo Padre João Paulo II, percebi logo o desejo de muitos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos de uma pastoral de Conjunto para melhor ser, como Igreja Católica, sinal da presença de Cristo ressuscitado e anúncio do Seu evangelho a toda a nossa sociedade. No dia de minha posse na Catedral de Petrópolis manifestei o desejo de levar adiante a imensa obra de evangelização iniciada pelos meus venerandos antecessores e, seguindo o impulso dado a toda a Igreja Católica por meio da Carta Apostólica Novo Millenio Ineunte, avançar para as águas mais profundas da santidade, da comunhão e da missão. “Duc in Altum”. Deste convite nasce o propósito de lançar em toda a Diocese a elaboração de um Plano Pastoral e uma série de iniciativas missionárias que atinjam com o anúncio da presença de Cristo a nossa comunidade diocesana e todo o nosso povo. 1 - Inspiração, Lema e objetivo: O motivo inspirador e constituído pelo convite do Santo Padre e pelo Projeto Nacional de Evangelização da CNBB “Queremos Ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida”. O lema que nos acompanha é dado pelo mistério da encarnação “Verbum Caro Factum”. O Verbo Feito Carne no Seu Natal, na Eucaristia, no seu corpo que é a Igreja.] O objetivo do Plano Pastoral que orienta todo o nosso caminho é: “Acolher e Comunicar a Presença de Cristo que Muda a Vida”. Seguiremos o caminho indicado pelo Papa que nos propõe a Santidade como “o horizonte para o qual deve tender todo caminho pastoral” (NMI 30) e a Missão ao mundo como a razão de existir da Igreja. Dentro deste Plano é de suma importância a Missão Popular. Não se deve esquecer que a Igreja, por sua natureza, é missionária. Anunciar, com novo ardor, novos métodos, nova expressão e assistidos pelo Espírito Santo que conduz a Igreja, devemos enfrentar este desafio contando com a colaboração de todos. 2 - Por que um Plano Pastoral? O Plano Pastoral de Conjunto como pastoral planejada “é a resposta específica, consciente e intencional às exigências da evangelização. Deverá realizar-se num processo de participação em todos os níveis das comunidades e pessoas interessadas” (Puebla 1307). Isso acontece porque a vida do Senhor chega a nós por meio do Seu corpo que é a Igreja. Na nossa comunidade, unida em comunhão com o Bispo e Papa, a salvação do Senhor Jesus nos alcança hoje. Ele começou a vida pública constituindo o grupo dos discípulos e toda a sua ação salvífica se comunicava por meio de uma experiência comunitária. E, para nós, não pode ser diferente. O Plano Pastoral não é uma estratégia para melhorar o nosso marketing, mas corresponde às exigências da fé católica pela qual o divino se experimenta na comunhão humana e na unidade. Por isso todo individualismo, todo isolacionismo é prejudicial para a vivência da fé e para a ação evangelizadora. Nosso Plano de Pastoral há de ser participativo e comunitário, um plano de pastoral capaz de reunir metas que atinjam todos os organismos da Diocese. Desde o seu início, é uma ação conjunta. A palavra de Deus nos ensina que é por Jesus Cristo “que todo corpo, coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria, efetua este crescimento, visando a sua plena edificação na caridade” (Ef 4,16). O motor de toda esta ação é a assistência do Espírito Santo, que nos é garantido pelo próprio Mestre (cf. Jo 14,15-18; Mt 28, 20), que sempre estará conosco quando estivermos unidos: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles!” (Lc 18,20). 3 – Metas do Plano Pastoral Envolvendo todas as forças vivas da Igreja na Diocese de Petrópolis, apoiar-nos-emos amplamente no voluntariado pastoral, que é uma das nossas maiores riquezas. Esforçar-nos-emos por desenvolver a ministerialidade da Igreja, buscando tanto aproveitar o que já existe quanto perceber os novos desafios e a eles responder com firmeza e fidelidade ao Senhor. Como objetivo específico, precisamos criar condições para que a Pessoa e a mensagem de Cristo sejam conhecidas de modo mais profundo e relevante por cada um dos fiéis em nossa Diocese. Para isso devem ser valorizados os organismos previstos pelo Direito Canônico, tais como, o Conselho Presbiteral e a formação de um novo Conselho Pastoral seja a nível diocesano, como em cada paróquia. Um instrumento preciso será a promoção de consultas nas paróquias, nos movimentos, nas comunidades, e depois nos Decanatos e, a partir de dados concretos que nos mostrem a realidade de todos os setores da Diocese, realizar de uma Assembléia Diocesana. Com base na Doutrina Social da Igreja, haveremos de manifestar a Igreja como força transformadora da sociedade, que tanto precisa de novos valores, novos princípios e nova ética, a Ética do Evangelho. Com sinceridade de coração, o estilo da nossa ação será de comunicar uma contagiante alegria (cf. Ne 8,10; Lc 10,17-20) e uma espontaneidade evangélica por termos sido convidados, pelo próprio Senhor, a trabalhar pela irradiação e consolidação do Reino de Deus: “Ide também vós para a minha vinha” (Mt 20,4-7). “O horizonte para o qual tende todo caminho pastoral é a santidade” (João Paulo II, Novo Millennio Ineunte, 30; iPd 1,15). 4 – Eucaristia e Missão Popular Quem nos ajuda a ingressar neste Plano de Pastoral de Conjunto é o Papa João Paulo II, quando, na sua carta apostólica “Fica Conosco Senhor” sobre a Eucaristia, nos recorda que “ O Ano da Eucaristia seja para todos ocasião preciosa para uma renovada consciência do tesouro incomparável que Cristo entregou à sua Igreja. Seja estímulo para sua celebração mais viva e sentida, da qual brote uma existência cristã transformada pelo amor” (MND 29)”. E nesta ocasião, junto com uma renovada consciência da centralidade da Eucaristia na vida da nossa Igreja queremos mediante a Missão Popular mostrar o “Rosto de Cristo” ao irmãos e irmãs dos nossos municípios por meio da visita às casas e aos ambientes onde as pessoas vivem. Sempre o Santo Padre nos lembrava no início deste novo milênio: “Os homens de nosso temo... pedem aos crentes de hoje, que somos nós, que lhes falem de Cristo, mas também que, de certa forma, lho façam ver... Não é porventura missão de a Igreja refletir a luz de Cristo em cada época da história e, por conseguinte, fazer resplandecer Seu rosto também diante das gerações atuais? (NMI, 16)”. 5 – Elaboração do Plano Pastoral Seguiremos estes momentos na elaboração deste Plano de Pastoral: 1. Realização de encontros sobre o Plano em cada Pastoral, Movimento, Comunidade, etc... 2. Assembléia geral da Paróquia ou Movimento ou da Comunidade inter-paroquial. 3. Assembléia de todo o Decanato. 4. Realização de uma primeira etapa da nossa Missão Popular. 5. No mês de novembro, estaremos realizando a Assembléia Diocesana, mas antes é indispensável envolver todas as forças vivas presentes nas paróquias e na Diocese. Oportunamente, alguns instrumentos de trabalhos serão apresentados. Importa, desde já, perceber que é preciso, na primeira etapa, identificar: • Tanto as riquezas. • Quanto às fragilidades de nossa vida pastoral. • Precisaremos discernir os desafios, • Buscando à luz da fé, caminhos de superação Depois de ter visto como somos sinais da Presença de Cristo na sociedade discerniremos, à luz da fé, quais serão as prioridades e os objetivos para toda a Diocese de Petrópolis e seremos convidados a rever especificamente as diversas atividades evangelizadoras. Cada grupo, seja pastoral, movimento, nova comunidade ou qualquer outro tipo de associação sinta-se, porém, desde já convocado para uma ampla revisão de suas atividades. 6 – A Assembléia Diocesana 1. Envolver todo o trabalho da CATEQUESE em seus vários níveis 2. Dinamizar a PASTORAL LITÚRGICA: a. Das Missas comuns, comemorativas, especiais, do Ciclo temporal e Santoral, de adultos, jovens e crianças. Ênfase especial na celebração da Eucaristia no Dia do Senhor. b. Da Pastoral Sacramental: Rito Penitencial e Confissão, Primeira Eucaristia, Casamentos, Batismos, Unção dos Enfermos... 3. FAMÍLIAS – Pais para seus filhos, esposos entre si, filhos para com seus pais, irmãos entre si, famílias entre si – Pastoral Familiar e Conjugal. 4. UNIVERSIDADE CATÓLICA, COLÉGIOS – católicos ou públicos, junto aos professores, em contato com os pais dos alunos com os alunos e junto aos Diretores e Coordenadores. 5. AS COMUNIDADES – que vêm à Matriz, nas comunidades dos bairros, nos Grupos Atuantes: Casais, Cursilhistas, Carismáticos, Movimentos de Leigos em geral, Jovens, Crianças, Idosos, Doentes, Meninos de Rua. 6. AÇÃO SOCIAL da Paróquia com Católicos, com pobres indistintamente, com os ricos e com a colaboração destes. 7. FORAMÇÃO DE LÍDERES para atuar em vários setores da Sociedade: junto aos governantes ou legisladores, nas Associações de bairro, Cooperativas, nos Sindicatos (operários, patrões, classes de trabalho), nos Partidos Políticos, nos Meios da Comunicação Social Escrita e Falada. Unidos ao Bispo e ao seu Presbitério buscaremos trabalhar numa Pastoral de Conjunto. Isto requer um planejamento orgânico, objetivo e progressivo. Citando: ORAÇÃO PELO PLANO PATORAL Fonte: Revista Ação – Petrópolis – Fevereiro de 2005. |
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